18.12.15

com outros traços e cores


O desenho familiar de um menino de cabelos dourados me chamou a atenção. Parecia com ele, claro que era ele, mas estava com a pele queimada de sol e usava um chapéu de couro, modelo típico de vaqueiro nordestino. Comecei a folhear as páginas e encontrei versos em cordel, figuras e símbolos da cultura popular do Nordeste. Também reparei que os pássaros que levam o menino na sua viajem são asas brancas - famosa música cantada por Luiz Gonzaga -, o Homem Vaidoso virou o Homem da Meia-Noite e o Rei remete ao Rei do Maracatu, tradicionais símbolos do carnaval de Pernambuco.  

A essa altura você já deve ter notado que trata-se de uma releitura da obra de Antoine de Saint-Exupéry. O livro "O Pequeno Príncipe em Cordel", tem versos de Josué Limeira e ilustrações de Vladimir Barros, cujos traços ficam entre a xilogravura e a estética armorial. 

A história é basicamente a mesma. Digo isso porque li O Pequeno Príncipe umas 20 vezes, procurando nele soluções para as minhas questões pessoais, e o conheço de cor e salteado. Ainda assim, como já citei, a nova adaptação tem suas singularidades, com outros traços e cores.

Em entrevista para o Ensaio de Asas, o autor Josué Limeira conta como começou com os cordéis, fala da sua trajetória com o livro e divide suas motivações literárias.

Leia abaixo, acompanhando as belas imagens do livro!



Pela raiz nordestina que tenho na alma, perambulei desde criança pelo sertão paraibano e depois em Pernambuco e me identifiquei com este estilo literário poético, engraçado e lírico. Escrevo desde os 12 anos de idade poemas e poesias, mas comecei a escrever cordéis com mais frequência e de forma profissional a partir da criação do site Cordéis do Amor no facebook, isso em 2009. O Cordéis do Amor surgiu depois que fiz um cordel falando da minha história de amor com minha mulher e ganhei um concurso cultural promovido pela Rede Globo Nordeste.



Pesquisei sobre O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry e descobri que existiam em mais de 250 idiomas, daí resolvi colocar a nossa linguagem nordestina nessa estante literária. Uma homenagem do nordeste para Exupéry, trazendo ele para nosso quintal de rimas e versos cordelizados. Mas mantive a essência do clássico.



No texto fiz menção a música Cancão da América de Milton Nascimento e Fernando Brant pois trata de amizade com muita sensibilidade e casou com o que eu queria falar no livro. As principais menções estão nas ilustrações de Vladimir, que diga-se de passagem, são lindas. A mais original delas é o vaidoso retratado pelo homem da meia-noite do carnaval de Olinda.



Sou influenciado pelos elementos e movimentos poéticos nordestinos tenho como referência Lirinha que transita entre o lírico e o regional. O último livro que li foi a releitura para o cordel do Alienista de Machado de Assis e estou começando o Guarani em cordel, vencedor do prêmio Jabuti desse ano na categoria adaptação.


A obra é escrita em sextilha, contém 27 capítulos e foi adotado como livro paradidático para o ano letivo de 2016 em diversas instituições de ensino do país. 

Uma lindeza só! ♥


O Pequeno Príncipe em Cordel
Autor: Josué Limeira
Ilustrador: Vladimir Barros
Editora: Carpe Diem
Páginas: 174
Assunto: Literatura de cordel brasileira
Encadernação: brochura
Valor: R$ 35,00






2 comentários

  1. Cada versão de O Pequeno Príncipe encanta de uma forma diferente. Mas a versão em cordel encanta pelo lado típico do nordestino. Tipicamente nosso!!! Parabéns ao autor! Parabéns a quem deixou-se cativar!!!

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  2. É impossível não se encantar com O Pequeno Príncipe!!!!
    Nesta versão em cordel isso ficou ainda mais fácil com sua linguagem e imagens próprias da nossa região, tipicamente nordestino.
    Tipicamente NOSSO!!!!

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