3.11.15

Consumo necessário: repensar, renovar, reciclar

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É interessante observar como alguns conceitos que, a princípio, tem uma proposta massa, acabam gerando um efeito colateral indesejado. Mas visivelmente "aceitável". O minimalismo, por exemplo, aparece em vários cenários - na moda, nas artes visuais, no design, na música e na própria tecnologia. O seu preceito é reduzir ao mínimo o emprego de elementos ou recursos. Porém, tô cansada de ver pessoas se livrando de seus objetos/roupas para comprar outras "coisas" que elas consideram "minimalista". 

Ou o Armário Cápsula, em alta no momento, com a mesma premissa de que não precisamos de tantas roupas, sapatos etc. Dá para viver numa boa com '37' peças no guarda-roupa. Mas daí você percebe que das '37' peças que você quer ter/viver, '10' precisam ser adquiridas. Então, vamos fazer comprinhas? Note, sempre arrumamos desculpas para consumir

Acredito que precisamos consumir, mas se você pensar direito antes de comprar - vamos nos ater ao mercado de roupas - pode se surpreender e concluir que tudo que precisamos pode vir de um processo de reciclagem.

Por mais inovador ou amigo-do-planeta que um produto novo seja, escolher usar algo que já está pronto é sempre a melhor escolha. E se pudermos re-usar de formas cada vez mais incríveis, melhor ainda. Seguindo esta lógica, nossa lista de prioridades na hora de consumirmos roupas, poderia ficar assim:

Roupa Livre



Quando iniciei minha trajetória para descobrir qual é o meu estilo, não imaginei o quão a temática consumo x desperdício iria chamar minha atenção. Me peguei lendo várias pesquisas científicas sobre o assunto, além de livros e blogs. Compreender a dimensão do consumo na vida social me fez entender que não quero contribuir para a cultura do material. Incentivar, de modo alienante, que você compre algo sem nenhuma reflexão prévia. Por isso mudei o foco do blog.

Vivemos numa sociedade de produção excessiva, baseada no lucro sem limites para manter seus motores sempre aquecidos. Onde, além das inúmeras denúncias de trabalho escravo para indústrias têxteis, destrói as fontes naturais de matérias primas. E olha que, na maioria das vezes, compramos aquilo que não precisamos, usamos pouquíssimas vezes, por um pingo de tempo, apenas para nos exibir para quem não conhecemos. Apesar disso, o principal problema não é “comprar”.

Não podemos ser hipócritas ou radicais, ou pior, ingênuas, em acreditar que  a solução para preservar o planeta é não consumir. Isso é impossível de ser praticado, pois a gente precisa de certas coisas para viver. Mas a melhor saída para todas nós é nos tornarmos consumidoras conscientes

A partir daí, levanto a bandeira de não comprar mais, por exemplo, nas redes de fast fashion que não conheço a procedência de seus materiais, ou qualquer coisa com etiquetas que dizem "Made in China". Prefiro mil vezes adquirir roupas e sapatos de 2ª mão, usar algo praticamente novo que alguém não quis mais  e, assim, aumentar a vida útil do que nos cerca evitando que mais coisas virem lixo. 



10 comentários

  1. Eu acho essa ideia de repensar e renovar válida e concordo contigo, até certo ponto.

    Eu comprava peças e peças, sem saber ornariam com o tinha em casa, não usava nada e ficava com aquela sensação de "não tenho roupa". O conceito do armário cápsula me ajudou muito a definir o meu estilo e hoje não tenho mais dificuldades para me vestir. Mas, não sei se você pegou a mesma ideia que eu deste conceito, porque você não precisa comprar as peças para o seu armário. A ideia é selecionar uma quantidade razoável de peças (o meu, por exemplo, tem 41) dentro do que você já tem, e usa essas roupas, sem necessidade de compras. E depois você pode comprar algumas peças para a próxima estação, se for realmente necessário - mas até lá, você já teve uma visão melhor do seu estilo e a compra vai ser mais consciente. Eu não comprei nada entre o outono e o inverno, porque não precisei... Fui comprar uma blusinha e uma saia agora, na primavera, pra complementar as roupas que eu posso usar no trabalho. Pra mim funcionou bem, eu estou curtindo bastante!

    Beijo :]]]

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    1. Oi Paty. Acredito no conceito do armário cápsula, ele é maravilhoso para definir estilos, perceber o que você realmente precisa etc. Não falei que era errado comprar novas peças que você acredita que precisa, mas que essas peças podem vir de um processo de reciclagem. Em que você poderia, por exemplo, comprar essa blusinha e saia num brechó. Ou conversar com alguma amiga sua que tem peças semelhantes, sabe se ela realmente usa essas peças, comprar dela, fazer uma troca por algo que ela queira seu. Essas coisas. Se realmente não tivesse como agir assim, aí você procuraria uma loja (de procedência confiável) e compraria.

      Só usei o armário cápsula como exemplo de que, independente desses conceitos criados para nos ajudar na hora de arrumar nosso guarda-roupa, consumir é necessário. Mas podemos consumir de várias formas, antes de comprar algo novo.

      Beijo

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  2. Oi Bruna, bacana demais o seu post. Eu também gosto de levantar essa bandeira do consumo consciente, não só com roupas, mas em outros aspectos da vida também: comida, bens de consumo indireto etc. A gente que tem e trabalha com blogs muitas vezes se vê num universo de consumo (e de incentivo ao consumo) que é bem pirante. De certa forma, dá para sublimar muita coisa através desse mundão virtual ~ quantas vezes eu encontrei um objeto incrível e, ao invés de comprá-lo, simplesmente fiz um post a respeito no blog. Por uma vida mais leve.

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  3. É delicia demais trocar roupas, comprar em brechos, transformar aquele vestidinho batido em uma blusinha... tem mil formas de inovarmos sem contribuir com o capitalismo e o lixo que produzimos nesse mundo! um assunto muito em alta e muito importante nos dias de hoje, com certeza. Adorei conhecer aqui e muito obrigada pelo seu comentário no meu blog. Um beijao!

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    1. Oi Cheel, eu que agradeço pelo post que você fez. Não me senti só. Beijão

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  4. Oi Bruna. Cheguei aqui pelo Instagram e já amei.
    Concordo com você. Muitas vezes usamos mesmo desculpas pra gastar, hahaha.
    Eu estou planejando meu armário cápsula e não com 37 peças, mas com menos, se tudo der certo. Fiz uma planilha com o que faltava pra mim usando peças novas. O valor deu um absurdo, hahaha. Então estou fazendo uma outra comparativa usando o site enjoei e a diferença está enorme!
    Abraços!!! | Saphy | Facebook

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    1. Oii. Que bom que você gostou :D
      Antes de sair comprando, veja também com as suas amigas, se elas tem algo que você deseja. Pergunte se há interesse de fazer trocas. Acho uma opção muito válida e divertida.
      beijo

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  5. Oi Bruna, gostei muito da sua reflexão nesse texto. Eu já tomei uma decisão pessoal de não comprar mais em fast fashions e sim de marcas locais, de preferência que eu saiba como foram produzidas, ou de segunda mão, em brechós, ou costurar as minhas próprias roupas. Essa decisão foi bastante reforçada depois que eu assisti ao documentário The True Cost (tem no Netflix), que me mostrou muitas coisas que eu já tinha pesquisado e coisas novas também, do tipo que me marcou muito e acho que deveria ser obrigatório para as pessoas verem. Eu também acho que a solução não é parar de consumir em si, mas se tornar consciente de como esse consumo funciona e de onde as coisas vêm e para onde elas vão depois de serem descartadas. Enfim, vou terminar antes que vire uma redação aqui, haha.

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    1. HAHAHHA Sempre que quiser, faça uma redação aqui <3
      Ainda não assisti esse filme. Mas essa decisão é maravilhosa, porque não temos planeta que aguente esse consumismo louco que existe atualmente. Quanto mais pessoas aderirem a ideia, melhor para todos nós.

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  6. Adorei o post! Também nunca vi nenhum sentido nessas posts de "vamos ter menos, para isso compre 15 mil caixas de arrumação, um guarda roupa novo e trocentas peças novas, doe todo o resto". Cara...

    No momento eu estou tentando não consumir muito, mesmo sabendo que não dá pra ser assim pro resto da vida. Seria muito bom se todo mundo consumisse coisas de segunda mão e tal, mas ainda tem muito preconceito. Minha vizinha montou um bazar, pra vender roupas e tentar pagar um psicologo e fonoaudiologo pro neto dela, e cara, vejo que tem muita gente que praticamente atravessa a rua só de pensar que ali tem um bazar. As roupas são muito boas, troquei umas com ela, roupas que eu tinha e não me serviam (todas novas) a troco de roupas usadas mas que me serviam, e fiquei muito feliz. Tô começando a me tornar uma garimpeira de brechós *--*

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