6.11.15

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón


Foi a primeira vez que li algo do autor Carlos Ruiz Zafón. Não o conhecia até então. A oportunidade surgiu através de um clube do livro, que começou seus trabalhos mês passado com o objetivo de reunir blogueiras que gostam de ler, escrever e debater: Clube do Livro Weblog

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, foi a primeira leitura definida. Tínhamos um mês para finalizá-la. Eu não conhecia nada sobre o livro. Também não procurei saber do que se tratava. Queria me surpreender. Consegui. ;)

O MISTÉRIO DE JULIAN CARAX
A história ocorre em Barcelona, numa Barcelona de 1945, pós Guerra Civil Espanhola onde impera a falta de liberdade e o autoritarismo. Daniel Sempere está com quase 11 anos, quando o seu pai decide levá-lo para um lugar misterioso e secreto, o Cemitério dos Livros Esquecidos. Esse cemitério funciona como depósito para obras abandonadas. Um enorme labirinto, com milhares de livros à espera que alguém os descubra. 

O pai de Daniel fala que ele pode escolher um livro - apenas um livro -, do qual terá a responsabilidade de cuidar para sempre. Após olhar atento para aquelas estantes enormes, ele encontra um exemplar de “A Sombra do Vento”, do também barcelonês Julián Carax. Daniel devora “A Sombra do Vento” numa noite e, fascinado pela história e pelo autor, decide ir atrás de outros livros que Carax possa ter escrito. 

Obcecado pela busca, Daniel descobre que provavelmente o seu livro é o único exemplar existente no mundo e que alguém vem queimando sistematicamente todos os livros do autor. Pior, se continuar nessa investigação por Julián Carax, todos que Daniel ama poderão ter um fim terrível. 


PERSONAGENS REAIS
Durante a procura, que dura anos, Daniel conhece várias pessoas, entre elas o livreiro Dom Gustavo Barceló e sua sobrinha cega, Clara Barceló; o mendigo e ex-espião Fermín Romero; um tal inspetor Fumero, com o qual aparentemente tem um longo histórico de conflitos; Bea Aguilar, irmã do seu melhor amigo, Tomás; a tradutora Nuria Monfort, que trabalhou na editora que publicava os livros de Julián Carax etc.

Apesar de serem personagens muito reais - de modo geral nas suas ações -, noto que a maioria deles sofre de uma solidão asfixiante que os impedem de viver suas emoções e os afetos mais profundos. Fermín é, de longe, minha figura favorita. Ele tem uma capacidade crítica afiada em face aos acontecimentos políticos e sociais da época, um caráter obsceno e irônico que adoro, além de saber usar sua astúcia de forma positiva

As descrições dos personagens são expressivas, apesar da linguagem rebuscada do livro - isso a princípio me deu agonia, pois eu tinha que ler com dicionário em mãos -, as atribuições de características são normalmente associadas a animais ou objetos inanimados, dando riqueza de detalhes no aspecto físico e emocional. 

A HISTÓRIA DE LIVROS
A história é sobre Daniel, mas também sobre Carax. Um enredo que envolve uma complexa teoria da conspiração, em pleno governo do Ditador Franco. Há uma definição maravilhosa, no próprio livro, sobre do que se trata a obra. Numa conversa entre Daniel e uma outra personagem importante, Bea, ele fala que trata-se de uma história de livros...


– De livros malditos, do homem que os escreveu, de uma personagem que se escapou das páginas de um romance para o queimar, de uma traição e de uma amizade perdida. É uma história de amor, de ódio e dos sonhos que vivem na sombra do vento.


O livro é muito bom. Envolvente em todos os parágrafos. Toda vez que algo novo e surpreendente acontecia - isso rola a cada página -, eu ficava "Meu Deus! Não acredito! Esse livro vai acabar comigo!". Uma história de amor, essencialmente do sofrimento que ele causa, bastante denso. Necessita de atenção na hora da leitura, porque tem muita informação. Seja da trama no geral, dos detalhes de cada mistério desvendado ou da correlação entre os personagens. Vale a pena a leitura. 


Título original: La Sombra del Viento
Género: Romance
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Ano: 2001
Classificação: 



8 comentários

  1. Fiquei apaixonada pela sua resenha <3
    Você escreve tão bem! Tô até com vergonha da minha :(
    A linguagem me deu uma certa agonia também, principalmente porque sou impaciente e queria descobrir logo o que ia acontecer e acabava demorando mais para ler.
    Meu personagem preferido também foi o Fermin. Na verdade, acho que ele foi o único que eu gostei de verdade. Não consegui criar um "vínculo" com os demais.
    E amei essa ilustração do final, muito linda!

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    1. Ownn que fofinha hahahahaha
      Obrigada pelo "Você escreve tão bem!"
      li sua resenha e gostei muito. Não tem do que se envergonhar.
      Como não se apaixonar por Fermin? Impossível. Amo personas inteligentes.
      Beijo

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  2. Oi Bruna, achei a premissa do livro um pouco semelhante ao do livro Fahrenheit 451, não sei se você já leu... De qualquer forma, fiquei bem interessada. Tão bom quando uma leitura "prende" a gente assim, né???

    Beijo, beijo. :*

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    1. Não, não. Nunca li nada semelhante. Mas vou baixar esse livro (Fahrenheit 451) imediatamente hahahaha. Como gostei muito de A sombra do vento, quero conhecer outras obras do autor e outros livros que tenham a mesma premissa. Obrigada pela indicação. Beijo

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  3. Quando eu li a Sombra do Vento pela primeira vez uns anos atrás, fiquei tão obcecada pela história que saí lendo todos os livros do Záfon que tinham sido lançados no Brasil. Acho que só falta ler The Rose of Fire (não sei como ficou a tradução), que conta sobre a origem do Cemitério dos Livros Esquecidos. Também dei de presente uma cópia pra um monte de amigos, pq eu sou do tipo de pessoa que faz isso com livros favoritos. Enfim, eu fiquei de reler para o clube do livro, mas ainda não terminei, espero que dê tempo de escrever uma resenha (ou um comentário aprofundado :P) sobre ele no blog ainda esse mês.

    E ó, eu já li Fahrenheit 451 e acho que não são tão parecidos assim. Tipo, a premissa de falar sobre livros é parecida sim, mas acho que se você quer ler algo parecido com o que o Zafón escreveu não é bem assim, sabe? Mas Fahrenheit é um livro incrível também! Acho que Zafón lembra mesmo é o Borges (dizem que lembra também Umberto Eco, mas dele eu só li não-ficção, então não sei dizer por experiência própria).

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    1. Também estou assim quanto a esse autor. Quero ler todos os livros que lançou aqui no Brasil, o problema é que estou com tantos livros na conta... Estou pensando em fazer uma maratona nas férias - ler sem parar durante uma semana, exceto quando for para fazer as necessidades: tomar banho etc hahaha - assim dou uma adiantada na minha lista.

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  4. As ilustrações que você colocou no post me ganharam de um jeito <3 E não tem como não amar seriamente o Fermín, ele também foi o personagem que eu mais amei. Mas também gostei muito do desenvolvimento do Fumero, acho até que ele entrou pra minha listinha de "vilões bem feitos", hehehe.

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    1. É verdade, o desenvolvimento do Fumero, caráter e personalidade, foi muito bem feito. Se pensarmos bem, todos são bem desenvolvidos, mas gostar deles é outra coisa. Acho que é pela questão de empatia. As vezes sentimos por um e por outro, não.

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