Haus Lajetop & Beergarden

O primeiro lugar da minha lista de "lugares para conhecer" é a Alemanha. Claro, por causa de grana, oportunidades e N fatores, vou conhecendo outros cantos antes. Ainda assim, a Alemanha é meu top number one. Cheguei a estudar a língua, mas no decorrer tive que parar para priorizar o inglês (Puf!). Então, assumindo meu amor, qualquer coisa que seja relacionado a esse país encanta meu coração, mesmo que seja apenas uma palavra. 

Como de costume, para aliviar o stress do período de provas, saímos para comer. Minha amiga Natália, garota esperta que usa a palavra socorro para expressar emoções, sugeriu irmos para o Haus. 

Haus é casa em Alemão. 

Dito isto, já fui para o local com bastante vontade de gostar. 


Com decoração industrial vintage descoladinha - portas gigantes, cadeiras diferentonas, canos visíveis, parede de concreto, teto ornamentando com portas de madeira -, o bar Haus Lajetop & Beergarden fica na Galeria Joana D’Arc, no Pina. Além da parte de dentro, o bar tem a parte externa, meio escurinha, e o primeiro andar com DJ de quinta a domingo.


eu rindo com todos os dentes e todas as rugas






O lugar é muito bonito e agradável, desses cantos intimistas que são um achado. E isso, acredite, é o menos interessante do Haus. O melhor, para mim, é a comida - isso porque eu não tomei nenhum dos drinques que são domínio da casa. Não sou especialista nem nada, mas sei quando gosto, gosto muito ou adoro um prato. Fiz minhas amigas pedirem coisas diferentes para poder experimentar o máximo de opções. Comemos bem. 

Para dar aquela forrada antes de iniciar os trabalhos, pedimos bolinho de frango crocante com queijo e molho de mostarda com mel de engenho. Ótimo. Nos pratos principais, decidimos por carnes. Sendo que dois, foram hambúrgueres. 

O primeiro é o Superburguer, ele vem com 180g de hambúrguer artesanal, mix de queijos, saladinha, cebola na cerveja, picles, bacon crocante e com fritas - deliciosamente sequinhas - de acompanhamento. O segundo é o Bratburguer, uma combinação especial de linguiça alemã com carne bovina, salada, queijo do reino, onion rings e maionese especial segredo da casa. A carne, de ambos, estava suculenta ao ponto com a parte interna molhadinha. Há, claro, os molhos são inesquecíveis… 







O meu prato foi o Ribs. Costelinha de porco com um molho que realmente não lembro o nome, acompanhado das deliciosas fritas. Não sou muito fã de carne, mas adoro carne de porco e a costelinha do Haus foi a grande surpresa da noite. Nunca, nunquinha mesmo, comi uma costelinha tão saborosa no qual a carne se desmancha suavemente dentro da boca. Você sabia que isso era possível? Eu não sabia. 

Por fim, Renato pediu Stiks. Macaxeira com linguiça artesanal alemã, salteada com pimentões coloridos, cebola roxa e queijo provolone maçaricado por cima. Detalhe, é servido na frigideira. Também pedimos, para experimentar, cerveja Desperados Tequila Beer. Uma cerveja clara que tem um leve sabor de tequila. Deliciosa. Combinou perfeitamente com os pratos.

O preço varia entre 20 a 50 e poucas dilmas, com promoções semanais. Saímos de lá com a sensação do bom e de ter comido uma refeição honesta no valor, com execução inquestionável.








∴ Haus Lajetop & Beergarden ∴
Av. Herculano Bandeira, 513 - Pina, Recife - PE
Tel:.(81) 3039-6304

Haus instagram e facebook



fotos feitas por mim, exeto a que estou rindo ao lado de Renato, com um iPhone

Bonito Isso: jardim huma-botânico







O projeto "Me matas", com a primeira fase concluída, reúne duas coisas que amo: retratos e plantas. A série é toda fotografada por Mariángel Catalina, porto-riquenha que atualmente mora no Brooklyn, Nova York. Ela criou um jardim com imagens de homens e mulheres composto com plantas que a fotógrafa catalogou com o nome de ambos no instagram. A primeira imagem por exemplo é uma flor de maga (thespesia grandiflora): joanne


Mais em...
Me matas instagram
Mariángel Catalina portfólio


*Bonito Isso é uma categoria inspirada no blog bonito isso: que infelizmente anda parado há muito tempo. Decidi resgatar a ideia porque o bonito precisa ser compartilhado 

Nunca reclame do que você permite



Você sabe o que significa influência dos custos perdidos? Trata-se de uma tendência de continuar investindo tempo, energia, dinheiro, lagrimas, saúde física/ mental, ou ambos, e o que tivermos em propostas malsucedidas só por causa do sentimento de "mas já gastamos tudo isso” e/ou "talvez, se continuarmos forçando a barra conseguiremos ter algum retorno”.

Agora tá explicado o fato de continuarmos no cinema mesmo o filme sendo horrível. Não dá pra sair na metade depois de pagarmos pelos ingressos. E nem vou mencionar relacionamentos.... Deixa quieto, né? O resultado é um loop sem fim, pois conforme investimos em algo, seja o que for, mais difícil é abrir mão dele.

Tudo bem, você não é a única. Normal não querer jogar fora o que foi investido - ou melhor, desperdiçado - mesmo tendo consciência da escolha ruim.  Mas se você continuar por esse caminho, insistindo no que não tem jeito, vai perder ainda mais. Que inteligência há nisso?

A situação fica ainda mais complicada pelo fato de sermos punidos quando dizemos não e elogiados ou recompensados quando dizemos sim. O primeiro, habituado a soar estranho na hora em que é dito; o segundo é celebrado. Isso dificulta bastante na hora de estabelecer limites.

No entanto, nos nossos relacionamentos, sempre haverá pessoas que abusem quando o assunto é exigir o nosso tempo. Fazem com que os problemas delas se tornem os nossos, sugam nossa energia em proveito próprio, nos distraem do nosso proposito e, se permitirmos, nos impede de dedicar o nível máximo de produtividade naquilo que desejamos de fato. E como é difícil dizer não para os mais próximos. Afinal, não queremos magoar ninguém.


Certa vez, uma enfermeira australiana chamada Bronnie Ware, que cuidava de pacientes em estágio terminal, resolveu registrar os arrependimentos que mais ouvia. No topo da lista estava: “Queria ter tido coragem de levar uma vida significativa para mim, não a vida que os outros esperavam que eu levasse"
                                                                           - Essencialismo, de Greg McKeown pág. 18


ENTÃO, O QUE FAZER NESSAS SITUAÇÕES?



Recentemente, durante os trabalhos do final do período da universidade, aceitei fazer uma das atividades com uma colega de classe que honestamente eu sabia que era irresponsável, além de ser totalmente desfocada. Quando ela me chamou para fazemos o trabalho juntas, falei sim sem pensar. É difícil dizer não para uma amiga. 

Sobre o trabalho, não podia permitir que fosse feito de qualquer maneira. Além de se tratar de uma atividade muito importante para média, ter rendimento acadêmico ruim me ocasionaria a perda da bolsa de estudos que me empenhei muito para conseguir. Seria uma tragédia.

Durante a produção do trabalho, fiz considerável esforço porque tinha que dar conta da minha parte e da parte dela. Quando especificava um exercício simples para ela realizar, era feito sem atenção ou sem o mínimo de cuidado. Tentei ensiná-la, mas ainda assim, ela continuava com uma atitude negligente. Eu tinha que parar a minha função, adiar o progresso do trabalho, para corrigir o que ela tinha feito. 

Minha vida virou um caos. O prazo de entrega estava finalizando e ainda não tínhamos iniciado o básico. A minha decisão precipitada estava me causando muito mal, gerando tristeza, estresse, angustia etc. E tudo isso só estava ocorrendo porque eu permiti. Me comprometi em fazer a atividade com a minha amiga, mesmo sabendo como ela era e pelo medo de magoá-la se eu tivesse dito não.

Depois de sofrer muito para tomar uma decisão - pela lógica, eu poderia continuar o trabalho sozinha, mas emocionalmente essa opção não existia -, percebi que ao sacrificar meu poder de escolha, acabei escolhendo – de forma errada. Ao me recusar a não continuar o trabalho sem ela, eu optei por permanecer naquela situação terrível. Uma decisão tomada por omissão. Minha bolsa de estudos dependia disso. Sendo que, aparentemente, ela não se importava em tirar nota baixa na atividade. Pelo menos, não se esforçava para conseguir o contrário.

Foi quando a chamei para falar que, a partir daquele momento, eu faria o trabalho sozinha. Claro, ela ficou chateada comigo. Porém, consegui desenvolver a atividade com mais calma, eficiência e rapidez. E pode parecer egoismo da minha parte, mas se você pensa assim, entenda uma coisa:

É claro que devemos servir as pessoas, amá-las e fazer a diferença na vida delas. Mas quando os outros fazem com que os problemas deles se tornem nossos, não ajudamos em nada. Ao assumirmos os problemas deles, lhes tiramos a capacidade de resolvê-los.
                                                                                                            Greg McKeown


Por isso, em situações semelhantes, é necessário admitir - para si, para os outros, para o mundo - que foi um erro se comprometer com algo fadado ao fracasso, e depois abrir mão inteiramente de gastar ainda mais tempo, dinheiro ou energia. Caso contrário, você continuará rodando em círculos à toa. Como declarou o humorista Josh Billings, “metade dos problemas da vida decorre de dizer sim depressa demais e não dizer não cedo o bastante”.

Ter finalmente dito não, me fez recuperar a qualidade do meu tempo concentrando meus esforços para realizar um trabalho bem feito. Além de dar um imenso impulso rumo à realização do que era importante, esse cenário me ajudou a valorizar a minha opinião sobre fazer escolhas. Sinceramente, passo para longe qualquer coisa, pessoa ou situação que sugue minha energia de forma negativa. É um exercício diário, sabe? Lembrar que tem decisões que são unicamente minhas, mas quanto mais esse raciocínio entrar no íntimo, mais torna-se libertador. 

Experimente se sentir mais leve e feliz se descomprometendo do que te faz mal. Depois me conta se funcionou pra você, combinado?


Ah, sobre minha nota no trabalho... 9,0



fotos de Tomasz Bazylinski

Como fazer olhos preguiçosos enxergarem




Existe uma cidade, na verdade, trata-se de uma ilha do arquipélago das Ilhas Pelágias, localizada no Mar Mediterrâneo: Lampedusa. A bucólica ilha de pescadores tornou-se uma das portas de entrada para milhares de pessoas que julgam arriscar a vida em embarcações superlotadas, sem o mínimo de segurança, melhor do que as circunstâncias em que eles vivem em seus países.

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2016, o documentário Fogo no Mar (Fuocoammare), de Gianfranco Rosi, expõe o drama vivido por refugiados de guerra vindos, na grande maioria, da África e do Oriente Médio. 

A concepção do filme parece difícil de digerir. Mas Rosi cria uma narração atrativa, quase que afável, ao colocar, em paralelo, cenas do pacato cotidiano de alguns cidadãos locais.

PERSONAGENS
Com foco evidente no menino Samuele, de 12 anos, filho de pescador, ele é – com suas brincadeiras, falas eloquentes e gestos expressivos -, de certa forma, o alívio cômico do documentário. Especialmente ao saímos de uma cena pungente de resgate de homens e mulheres esfarrapados, debilitados pela fome, totalmente desidratados, alguns inconscientes.

Se de um lado temos um foco no menino com sua família de pescadores. Sob outra perspectiva vemos os refugiados, exibidos como uma massa indistinta. Não há depoimentos ou histórias individuais, não sabemos seus nomes, o que passaram, quem deixaram.... Temos apenas as emoções expostas. Uma série de medo, tristeza, alívio e incerteza quanto ao futuro.

Os dois cenários são quase desconexos. Exceto pelo médico Pietro Bartolo, único médico da ilha, sobre quem pesa a responsabilidade de cuidar dos refugiados, além de responder pelo destino dos corpos dos mortos. É Bartolo quem descreve as condições que essas pessoas chegam a ilha e, entre outras questões, mostra a dificuldade de acolhê-los.

FOGO NO MAR
O título do filme é uma relação direta as consequências das guerras vistas pelos moradores de Lampedusa. Numa primeira passagem, a avó de Samuele conta como eles temiam ir ao mar de noite durante a Segunda Guerra Mundial. 

Os navios militares lançavam foguetes que iluminavam o mar deixando-o vermelho com a impressão de que havia fogo nele. Então, durante um relato de Bartolo, em que vemos um homem deitado com queimaduras graves no corpo, é estabelecido o paralelo. Compreendemos o título do filme aplicado a esta situação. As queimaduras são causadas pelo combustível expelido pelo motor a diesel nas roupas dos refugiados.

OLHOS QUE NÃO QUEREM VER     ***Alerta de spoilers!***

Em 2015, revela o relatório do Observatório de Situações de Deslocamento Interno, foi registrado um número recorde de 40 milhões de refugiados de guerra. Isso representa o dobro de refugiados do mundo. Dentro desse contexto, muitas pessoas se debatem entre a culpa de continuar na indiferença, sem “enxergar”, e o desejo de querer ajudar sem poder. Equivalente ao problema no olho direito de Samuele, chamado de olho preguiçoso. 

Enquanto o garoto se empenhar para enxergar completamente, do mesmo modo, precisamos nos esforçar para olhar as imagens impressionantes feitas pela câmera de Rosi.

Alguns closes são difíceis de encarar: o momento em que os refugiados estão sendo catalogados com fotos e números, um dos africanos olha diretamente para câmera, seu rosto está enquadrado, sua dor chega a ser tangível, ninguém consegue encará-lo por muito tempo. Em outra cena, um homem com uma ferida no olho chora lágrimas de sangue – os mais frios conseguem ver, não foi o meu caso -, logo depois, noutra passagem, uma mulher fala algo para outra, não compreendemos o que ela diz, mas deduzimos no momento em que ela começa a chorar.

Há outras cenas com grande peso no documentário. Um grupo de africanos fala de forma espontânea o que fizeram para sobreviver. Eles contam, durante um tipo de oração, que escaparam de bombardeios na Nigéria e fugiram pelo deserto do Saara. Muitos morreram de sede, fome e exaustão. Quem sobreviveu, entrou pela Líbia, onde foram presos, torturados e mais tantos outros morreram. 90 sobreviventes conseguiram subir num barco precário com destino a Lampedusa. Dos 90, apenas 30 desembarcaram na ilha.

No fim, não somos poupados. Enxergamos com clareza as imagens do porão de um destes barcos, abarrotado de cadáveres.