Imagem pessoal: como construir estilo próprio?

pra me arrumar em menos tempo, pra me vestir com qualquer peça do guarda-roupa e pensar "tá perfeito!", pra não gastar o que não tenho com roupa que nunca vou usar, pra me sentir linda, feliz e satisfeita com o meu armário.

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desde 2015 tenho feito esse ensaio de pensar, renovar e reciclar quando o assunto é consumir roupa. Mas, a gente sabe, sempre há os deslizes. Seja aquela peça maravilhosa que a gente tava de olho faz tempo, seja porque não estou "achando nada" no guarda-roupa. Vai, perdoa. Você também já passou por isso, nénão? De qualquer forma não estamos aqui pra apontar o dedo na cara das amiguinhas rsrs, só se for pra dar bronca de irmã.

mas finalmente: como construir um estilo próprio? Como construir uma armário versátil, com a nossa cara, pra gente se concentrar apenas nas coisas que realmente importam na vida? Não sei. rsrsrs Na verdade não tenho uma resposta precisa e específica para você. Até porque, estou no mesmo barco, mana. Também quero construir um estilo só meu e o que talvez funcione para mim, não necessariamente servirá para você.

o processo é lento, verdade, pois antes de tudo precisamos ter um autoconhecimento que, a gente também sabe, é trabalhoso. Mas o grande segredo, pra dar o primeiro passo, é mudar o seu olhar sobre si mesma. Papo pra boi dormir? Não é. Quer tentar?




a frase é da Silva do blog Rapariga como nós.  Me diz se ela não parece ser justa comigo, contigo, com a vida? Ela propõe que, antes de tudo, a gente seja feliz com quem somos, com quem estamos e com a nossa aparência, por exemplo.

quem não está feliz com o armário - it me o/ - precisa saber que, ao contrário do que a indústria da moda - muitas vezes injusta e opressora - postula, consumir desenfreadamente não é a solução para ter um guarda-roupa dos sonhos. Esse, muitas vezes, não é algo semelhante aos das novelas, filmes, estrelas ou socialites: closet gigante com centenas de peças.

do que adianta ter tanta roupa se no final à gente usa apenas aquelas favoritas? Ou, do que adianta tanta roupa se a gente não tiver se sentindo bonita, segura, feliz? Esse atributos, que vou nomear de sementes só porque quero usar uma metáfora, precisam, primeiro, serem plantadas por dentro, mas que é certo, vão florescer aqui fora.



rir assim, sem medo da altura da gargalhada, sem receio de mostrar os sinais do tempo na pele, rir sem hesitação, além de mostrar que damos importância ao que realmente vale a pena, fortalece a autoestima. E acredite: autoestima elevada chama muito mais atenção do que a roupa da moda.

na busca pelo meu estilo, li a mesma orientação em vários livros sobre o assunto: uma mulher confiante é mais interessante que uma mulher bonita, e o passo mais importante para ter estilo é projetar essa confiança. Transmitir para as pessoas que você se ama, se respeita e é a sua própria musa.

vamos começar 2017 pensando dessa maneira? Tá ai um exercício que deve ser ampliado: rir. Qualquer look vai fica completo com um sorriso largo no rosto.


outra coisa: eu fiquei meio verde nessa foto ou é impressão minha? rsrs
beijos, até a próxima


Sururu ao Leite de Coco


A primeira coisa que aprendi a cozinhar na vida - e falo de um prato complexo que tenha mais de dois ingredientes, afinal, a gente sabe, macarrão instantâneo com ovo cozido não é bem cozinhar rs - foi sururu ao leite de coco. Usei uma dessas receitas que encontramos na internet, essas que mandam a gente preparar 1kg. Sério, faz uma busca no Google. A maioria manda preparar 1kg. Até então, eu não fazia ideia que isso era muito para duas pessoas - minha mãe e eu. Foram três dias comendo só isso. Agora opto por preparar metade. Também fiz alguns ajustes, tirei algumas coisas, acrescentei outras. A receita é dessa foto a cima. 



VAI PRECISAR

  • 1/2 kg de sururu
  • 1 cebola media cortada (pedaços pequenos)
  • Suco de 1 limão grande
  • 2 dentes de alho amassados
  • 1 tomate sem semente picadinho
  • 1/2 pimentão picadinho
  • 1 pimenta de cheiro sem semente picadinha
  • 1 pires de coentro picadinho
  • Azeite de dendê 
  • Sal a gosto
  • 300 ml de leite de coco


MODO DE FAZER

  1. Lave bem o sururu. Um dica é colocar dentro de uma peneira embaixo de água corrente. Mexa-o com os dedos suavemente. Depois disso, dentro de um vasilha, tempere o sururu com o suco do limão e o sal. Reserve.
  2. Pegue uma panela e doure no azeite, em fogo brando, a cebola e o alho. Assim que dourarem acrescente a pimenta de cheiro, o tomate e o sururu. Deixe cozinhar por 5 min, mexendo de vez em quando. 
  3. Acrescente o leite de coco, mexa e deixe cozinhar por mais 30 minutos
  4. Depois coloque o coentro e desligue o fogo
  5. Sirva com arroz branco

xxx

Antes de ir, uma coisinha... na real, é ou não é assim na maior parte do tempo: 

a gente vê uma foto de uma comida deliciosa. dá água na boca, ficamos com vontade de fazer, mas raramente fazemos.  :| 

2016 tá terminando. Vamos fazer um trato? Assim, ó: tá com vontade? faz! Se permita. Seja feliz! Isso não vale apenas para comida, viu? 


beijo

Meu cabelo é cacheado! Não é ruim, duro, de Bombril ou sujo


"Se você pegar piolho... nossa não quero nem imaginar como seria difícil de tirar desse cabelo", falou para mim, na semana passada, uma moça que também esperava a vez dela para fazer depilação no salão de beleza perto da minha casa. 

Retruquei dizendo que caso pegasse piolho, teria o mesmo trabalho que ela - moça branca com cabelo liso, talvez alisado quimicamente, com certeza pintado de loiro -, para removê-los. Iria passar o remédio para matar pilho e finalizar com pente fino. Do mesmo jeito que ela, precisaria dividir os cabelos em mechas para não quebrar o cabelo.

É louco perceber que algumas coisas tão óbvias pra mim, não são tão óbvias assim para outras pessoas: racismo.

O que ela falou, expressões simples que aparentemente não parecem ser ofensivas, são visivelmente racismo. Mas pra ela, não. A moça ficou incomodada com o volume do meu cabelo cacheado que no dia estava bem volumoso, diferente dessa foto da postagem rsrs. Mas o que levou a esse incomodo?

Durante a nossa conversa, falei "meu cabelo é uma característica normal de uma pessoa negra" e ela disse na lata "mas você não é negra! É morena!". E com essa reação, também ficou óbvio que havia uma preocupação em dizer que alguém - eu -, era negra. Como se chamar uma pessoa de negra fosse algo ofensivo, beirando o xingamento. Daí a opção é embranquecer a pessoa – chamando-a de “morena” ou “mulata”, acreditando ser menos agressivo.

Olha, não existe justificativa para negar que alguém é negra. Essa palavra não diminui ninguém. Na verdade, a palavra negra/o exprime, além dos contextos históricos, que a pessoa tem uma identidade e faz parte de um grupo social. Ser negra não é apenas a cor da pele, tá mais ligado a identificação cultural. É uma questão política e de resistência.

A negação do nosso fenótipo, quando vão se referir aos nossos cabelos Afro ou a cor da pele, não apaga apenas a nossa cor, mas o longo processo que pessoas como eu – que desconstruiu toda a inferiorização que sentia por ser negra –,  passaram para conseguir se reconciliar com a nossa identidade. Dilui a concepção de coletivo. E é isso que a sociedade branca, racista e misógina quer: negativar a figura negra para destruir, simbolicamente, a nossa ancestralidade. Cruel, né? 

Mas muitas pessoas não tem consciência disso. 

Quando criança, recebi vários apelidos – “cabelo ruim”, “cabelo de Bombril”, “cabelo duro” – que me faziam chorar e me esconder dentro de casa ou durante o recreio da escola. A solução dada a mim, ainda com 7 anos, foi o alisamento que, vamos combinar, para uma criança, é uma rotina capilar opressora. O mais torpe é perceber que esse mesmo racismo, praticado pelos colegas de infância, se perpetua nas universidades, ambientes de trabalho, ruas, nos salões de beleza... 

Incrível como as pessoas não percebem que estão sendo racistas. Digo isso por saber que muitas vezes não é de proposito. Somos ensinados desde criança a apontar o dedo na cara do coleguinha e escancarar as diferenças. E como ser negra, desde sempre, foi explicitamente negativada pela sociedade, apontar o dendo e escancarar as diferenças tem que ser em cima de algo "vergonhoso" para o outro.

Hoje, eu não aliso mais o cabelo. O que antes era motivo de vergonha, agora é simbolo. E representa todo o meu orgulho. Ele é cacheado, volumoso e lindo. Cresceu, assim como a minha consciência. E percebi que fiquei mais negra, principalmente por causa da quantidade de olhares tortos. Meu cabelo é cacheado! Não ruim, duro, de Bombril ou sujo. Posso pegar piolho? Claro que posso. Assim como a cabeça de qualquer outra pessoa. Inclusive cabeças que não tem o cabelo tão maravilhoso como o meu.

xxx

Empatia e diálogo é uma categoria sobre coisas que incomodam muita gente, mas que é necessário conversarmos.